domingo, 24 de julho de 2016

Precisamos falar sobre o “Escola sem partido! ”


Na última semana as redes sociais foram bombardeadas pela discussão política gerada sobre o possível projeto de lei defendido por alguns dos novos “pseudo-pensadores” políticos de facebook, twitter e outras redes no Brasil; o “Escola Sem Partido”. Entre os agitadores do debate, amplo destaque para Alexandre Frota, ex-ator global, com carreira frustrante nas telenovelas, mas, muito famoso por seus filmes pornôs bissexuais nos quais contracenou com mulheres e transexuais. Frota, em reunião nos primeiros dias do governo interino, levou a proposta ao atual Ministro interino da Educação.

Há cinco projetos no Congresso (4 na Câmara e um no Senado). Ao menos 7 Assembleias Legislativas (inclusive a de São Paulo têm projetos em trâmite. Os textos são similares, reproduzidos a partir de minuta do movimento Escola Sem Partido, criado em 2004. Muitos especialistas questionam a proposta, afirmando a sua inconstitucionalidade. O projeto do Senador Magno Malta (PR-ES), um dos líderes da bancada evangélica no Senado, ainda veta a discussão sobre gênero nas escolas.

O texto tem como base a isenção dos professores em expor seus posicionamentos políticos, relatando a existência de doutrinação política de crianças na formação, segundo a justificativa, “é fato notório que professores e autores de livros didáticos utilizam-se das aulas e das obras para ter adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas”.

O filósofo da educação Paulo Freire um dos mais influentes nomes do pensamento pedagógico no Brasil com trabalhos reconhecidos mundialmente, em toda sua obra defendeu a escola como um espaço de respeito e inclusão às diferentes classes, gêneros e crenças; além de que, uma escola onde fosse livre o pensamento, o posicionamento político, tratando inclusive o seio escolar como o local de formação do ser cidadão.

Nos últimos meses a polarização do ambiente político que culminou o golpe de Estado sofrido pela presidente Dilma Rousseff tem sido plano de fundo para as mais diversas discussões de cunho reacionário, fato que representa uma séria ameaça à direitos e garantias constitucionalmente estabelecidos.

O modelo de escola aplicado no período militar no qual a liberdade de pensamento era totalmente cerceada, fora dando espaço a uma escola mais justa, acessível e participativa, porém, ainda com muitas heranças do conservadorismo e a imposição do comportamento social e do pensamento retrógrado e autoritário daquele período. Isso vem sendo confrontando em muitos centros com o fortalecimento das unidades de representação coletiva (grêmios e afins), os quais celebram a discussão política dos mais diversos posicionamentos, com uma breve característica comum, o pensamento de esquerda!

Sem imposições ser esquerda, no sentido prático, é pensar o mundo com um pouco mais de solidariedade pelo coletivo; que é possível sociabilizar e está contra todo o tipo de opressão as quais o sistema vigente apresenta. É uma característica inclusive marcante aos jovens, que nessa fase da vida, naturalmente buscam uma autoafirmação social e a primeira das suas constatações é sentir-se incomodado com as macabras desigualdades sociais.

Uma vez polarizado o discurso do fim da corrupção e o extermínio do PT, a parte reacionária e conservadora do país levanta-se também contra a liberdade do pensamento de esquerda. Considerar o PT como um partido de esquerda que arruinou a pátria, é a estratégia da ala conservadora para execrar a contraproposta. Os partidos que representam os interesses da plutocracia, das elites (minoria que detém a maior fatia da riqueza brasileira), da grande mídia e dos patrões, se debruçaram sobre um projeto, o qual de forma silenciosa, impõe o fim do debate político e ampliando para o ambiente escolar, visando a longo prazo a extinguir o pensamento da esquerda no Brasil a partir da base de formação do brasileiro.

Esse fato recorda assombrosos momentos da história quando a influência norte-americana (não tão diferente dos dias atuais), por longo tempo fez o governo brasileiro combater comunistas ou qualquer pessoa com o pensamento mais à esquerda como terroristas e verdadeiros inimigos da nação, e não tão distante, o golpe de 64 teve ideias e práticas similares às supracitadas.


Por: Fellipe Carvalho Luz.

0 comentários: