Na última semana as redes sociais
foram bombardeadas pela discussão política gerada sobre o possível projeto de
lei defendido por alguns dos novos “pseudo-pensadores” políticos de facebook,
twitter e outras redes no Brasil; o “Escola Sem Partido”. Entre os agitadores
do debate, amplo destaque para Alexandre Frota, ex-ator global, com carreira
frustrante nas telenovelas, mas, muito famoso por seus filmes pornôs bissexuais
nos quais contracenou com mulheres e transexuais. Frota, em reunião nos
primeiros dias do governo interino, levou a proposta ao atual Ministro interino
da Educação.
Há cinco projetos no Congresso (4
na Câmara e um no Senado). Ao menos 7 Assembleias Legislativas (inclusive a de São
Paulo têm projetos em trâmite. Os textos são similares, reproduzidos a partir
de minuta do movimento Escola Sem Partido, criado em 2004. Muitos especialistas
questionam a proposta, afirmando a sua inconstitucionalidade. O projeto do
Senador Magno Malta (PR-ES), um dos líderes da bancada evangélica no Senado,
ainda veta a discussão sobre gênero nas escolas.
O texto tem como base a isenção
dos professores em expor seus posicionamentos políticos, relatando a existência
de doutrinação política de crianças na formação, segundo a justificativa, “é
fato notório que professores e autores de livros didáticos utilizam-se das
aulas e das obras para ter adesão dos estudantes a determinadas correntes
políticas e ideológicas”.
O filósofo da educação Paulo
Freire um dos mais influentes nomes do pensamento pedagógico no Brasil com
trabalhos reconhecidos mundialmente, em toda sua obra defendeu a escola como um
espaço de respeito e inclusão às diferentes classes, gêneros e crenças; além de
que, uma escola onde fosse livre o pensamento, o posicionamento político,
tratando inclusive o seio escolar como o local de formação do ser cidadão.
Nos últimos meses a polarização
do ambiente político que culminou o golpe de Estado sofrido pela presidente
Dilma Rousseff tem sido plano de fundo para as mais diversas discussões de
cunho reacionário, fato que representa uma séria ameaça à direitos e garantias constitucionalmente
estabelecidos.
O modelo de escola aplicado no
período militar no qual a liberdade de pensamento era totalmente cerceada, fora
dando espaço a uma escola mais justa, acessível e participativa, porém, ainda
com muitas heranças do conservadorismo e a imposição do comportamento social e
do pensamento retrógrado e autoritário daquele período. Isso vem sendo confrontando
em muitos centros com o fortalecimento das unidades de representação coletiva
(grêmios e afins), os quais celebram a discussão política dos mais diversos
posicionamentos, com uma breve característica comum, o pensamento de esquerda!
Sem imposições ser esquerda, no
sentido prático, é pensar o mundo com um pouco mais de solidariedade pelo coletivo;
que é possível sociabilizar e está contra todo o tipo de opressão as quais o
sistema vigente apresenta. É uma característica inclusive marcante aos jovens,
que nessa fase da vida, naturalmente buscam uma autoafirmação social e a
primeira das suas constatações é sentir-se incomodado com as macabras desigualdades
sociais.
Uma vez polarizado o discurso do
fim da corrupção e o extermínio do PT, a parte reacionária e conservadora do
país levanta-se também contra a liberdade do pensamento de esquerda. Considerar
o PT como um partido de esquerda que arruinou a pátria, é a estratégia da ala
conservadora para execrar a contraproposta. Os partidos que representam os
interesses da plutocracia, das elites (minoria que detém a maior fatia da
riqueza brasileira), da grande mídia e dos patrões, se debruçaram sobre um
projeto, o qual de forma silenciosa, impõe o fim do debate político e ampliando
para o ambiente escolar, visando a longo prazo a extinguir o pensamento da
esquerda no Brasil a partir da base de formação do brasileiro.
Esse fato recorda assombrosos
momentos da história quando a influência norte-americana (não tão diferente dos
dias atuais), por longo tempo fez o governo brasileiro combater comunistas ou
qualquer pessoa com o pensamento mais à esquerda como terroristas e verdadeiros
inimigos da nação, e não tão distante, o golpe de 64 teve ideias e práticas
similares às supracitadas.
Por: Fellipe Carvalho Luz.



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