Nos últimos dias as redes sociais, em especial o Facebook, foram invadidas com fotos de atores, apresentadores e cantores segurando ou comendo uma banana. É uma alusão ao fato ocorrido com o jogador Daniel Alves em um jogo na Espanha, onde comeu uma banana jogada por torcedores. A hashtag #somostodosmacacos logo se espalhou. Somos todos macacos ou somos todos hipócritas?
Estúpida “elite” brasileira
O racismo nessas terras brasilis não é novidade para ninguém. Desde a colonização portuguesa até hoje, o racismo continua presente na sociedade. É piada dizer que não.
Durante a colonização, a população mais pobre em sua maioria formada por escravos ‘libertos’ pós a Lei Áurea, concentrou-se nas áreas afastadas dos centros da cidade. No centro, só havia espaço para os casarões, teatros e outras futilidades da elite burguesa da época. A posição de inferiores e subalternos ainda era (e é) difundida por essa elite. Apenas os nomes e os anos mudaram, mas o preconceito continua o mesmo. Esses espaços ocupados pelos ‘libertos’ agora são chamados de morros e essa elite já não usa cartolas e botas, porém, continua a ser tão conservadora e mesquinha quanto no século 19. Parece que o espírito provinciano e colonial nunca saiu dos corpos da estúpida ‘elite’ brasileira.
Capitão do mato de ontem, policial militar de hoje
Em julho de 2013, o ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza desapareceu após ser levado pela polícia da porta de sua casa. Um negro, acusado de supostas ligações com traficantes. Supostas ligações. Até hoje, não se sabe o que aconteceu com Amarildo. Ao contrário do capitão do mato de outrora, o negro e morador do morro, foi levado por Policiais.
Você deve ter visto ou lido algo relacionado à Rachel Sheherazade, aquela apresentadora do SBT. Reproduzir os comentários dela é nojento, especialmente o comentário que fez sobre o jovem amarrado a um poste e espancado por ‘justiceiros’. Quem era o jovem? Um negro, pobre, morador de periferia. O comentário feito pela ‘jornalista’ não foi pedindo mais segurança pública, ele incitou o ódio de classe.
Antes, tínhamos anúncios em jornais fazendo a busca por um preto que fugiu de um engenho qualquer. Hoje, apresentadores disseminam o ódio em rede nacional. A ‘elite’ agora já não é dona de escravos, é dona da mídia. O capitão do mato de ontem, é o policial militar de hoje.
Somos todos iguais
Por que ao invés de usar uma tag #somostodosmacacos, não usar #somostodosiguais? O racismo é coisa de momento? O racismo é algo que só acontece uma vez ou outra na provinciana sociedade brasileira? É claro! Que não. Todos os dias, a toda hora, no momento que em você lê esse texto, um novo caso de racismo ocorre no Brasil. E não falo só de agressões. Postos de emprego são ocupados por pessoas consideradas brancas, novelas tratam o negro como alguém subalterno [...]. Incrível não é? Hipocrisia achar que não existe racismo no Brasil. Sou brasileiro, paraense, caboclo de Belém do Pará. Na minha veia, assim como na veia de toda a população brasileira, corre sangue indígena, negro e até europeu. Não somos macacos. Somos iguais. Não é a cor que nos faz diferente, mas o caráter. Que tal fazer diferente e dizer que #SomosTodosIguais ou #SomosTodosAmarildo? Seja lá qual tag usar, o importante é dizer “Sou contra o racismo!” e “Sou contra o preconceito”. Já diz Gabriel Pensador:
“O racismo é burrice, mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você”
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=MDaB8muAANc
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